Do que resta ainda em minhas sinapses, e obedencendo a ordem, a qual acredito ser a cronol�gica, na qual os fatos ocorreram, a est�ria inicia-se assim:
Era um sal�o, um sal�o parecido com uma igreja pequena tamb�m lembrando um teatro. Sim, teatro define melhor, pois afinal eram quase 100 pessoas e todas esperando pelas apresenta��es que aconteceriam. No grupo, deveras inquieto, muitas faces conhecidas de v�rias �pocas da minha vida, mas a maioria relembrava-me colegas. Ensino m�dio e universidade.
Talvez por isso, ou pelo fato da apresenta��o corrente ser uma chatice, o p�blico parecia meio disperso. Alguns conversavam sobre suas vidas, outros dormiam. A mulher, que vestia preto, no palco, apresentava sinais de irrita��o, e sua voz alternava de intensidade. Tamb�m possu�a um rosto familiar, por�m agora n�o consigo disting�ir exatamente sua identidade. Talvez uma professora, talvez uma atriz de novela, o fato � que era bonita.
Sua irrita��o aumentava, enquanto os espectadores n�o davam a m�nima. No limite da sua paci�ncia, com uma seguran�a em que eu n�o esperava, disse em tom docente:
“Aqueles que n�o se interessam e apenas atrapalham o andar desta apresenta��o, por favor se retirem”
E, embasbacado, vi a quase totalidade das pessoas retirar-se, ofendidos. Enquanto sa�am, a mulher, humilhada, continuo sua apresenta��o. N�o consegui proferir nem uma palavra, quando, de novo inesperadamente, um celular come�ou a tocar. Tive a impress�o de ser meu, apesar do som extremamente baixo. Fui para a porta da igreja/sal�o para atend�-lo, e uma voz que parecia estar ali, e n�o no aparelho, disse-me alguma coisa. O dito j� foi apagado da minha mem�ria, e o que segue � um tanto nebuloso.
A cena corta para outra em que todos, agora vestidos com roupas esportivas, agrupavam-se na frente de um vesti�rio. E aqui a vibra��o do ambiente cai vertiginosamente.
Entrei no vesti�rio com a clara necessidade de tomar banho. O lugar fedia. Completamente sujo, azulejos velhos e com tom de fungos de piscina. Apenas uma l�mpada no teto, deixando o ambiente com pouqu�ssima claridade. Liguei um dos chuveiros. A �gua que sa�a n�o era t�o suja quanto imaginava. Outros tomavam banho por ali, quando um fiscal do lugar entrou no recinto. Ele queria verificar se todos estavam seguindo as regras. Um homem acocorado embaixo de um dos chuveiros chorava, e o fiscal prontamente o retirou do lugar.
Arrumei minhas coisas, joguei o que estava errado no box ao lado, e tratei de me retirar daquele lugar absurdo.
Como sa� n�o lembro. A vontade de ir embora aumentava e convidei um dos meus colegas para sair junto. Ofereci-lhe uma carona. E a vibra��o diminui ainda mais.
Entramos no carro e dirigi saindo dali. Cheguei numa rua familiar perto da minha real casa, e o carro apagou. Estava extremamente escuro. Meu amigo desapareceu do carona, e o carro morto. Consegui deix�-lo na cal�ada e fui em dire��o a um posto uma quadra adiante. O posto tamb�m fedia. Min�sculo, mais parecia um estacionamento. Pedi ajuda que me foi negada. Segui para outro posto, esse sim um pouco mais amig�vel. O frentista disse que me ajudaria, por�m iria cobrar-me.
Voltamos ao carro e eis que este tinha sumido. Mas como se ele estava apagado e sem a chave? Em sonhos, detalhes como este n�o importam.
Em um acesso de loucura, o frentista come�ou a dar marretadas em uma caminhonete que estava ao lado, e um inc�ndio iniciou-se. A loucura, agora minha e n�o do frentista, chegou ao seu �pice. Um m�ssel apareceu em cima do fogo, e pessoas, que antes n�o estavam ali, desesperadas fugiam. Uma grande explos�o ocorreu, e tudo em um raio de tr�s quadras foi queimado. Mulheres carbonizantes gritavam, e eu, em chamas, continuava ali, vivo.
Uma sensa��o de que uma grande entidade me perseguia, tomava conta. Pequenos beb�s-rob� (criaturas voadoras, com cabe�as met�licas e corpo an�o) tamb�m pressentiam algo horr�vel os perseguindo. Uma grande m�quina em forma de p�ssaro apareceu, atacando as criaturas. Logo eu me torno seu alvo principal. N�o tinho escapat�ria, e nessa hora me dei conta de que estava num mundo parecido com o criado pelo Pink Floyd em The Wall. Em seguida a m�sica Empty Spaces come�ou a tocar. O Grande p�ssaro/avi�o/m�quina corr�a raivoso atr�s de mim e dizia: “Voce se tornar� o pneu dianteiro do avi�o” e, impotente, fiz o que ele disse. A sensa��o do grande peso do avi�o, com o atrito no ch�o era horr�vel, e comecei a perder for�as. Cuspido para fora, e voltando a ser algo parecido com um homem, olhei aquele terr�vel monstro que agora tinha mais de 15 metros de altura, em chamas, com o c�u negro em tempestade as suas costas. Ele me atacou e a dor foi insuport�vel.
Me vejo alguns segundos depois, subindo a rua que d� em minha casa. O medo j� diminuiu, mas a vontade de chegar em casa era grande. As m�os tremiam enquanto pegava a chave. Um motoqueiro, escondido na rua, me observava. Era �bvio que iria me assaltar. A chave parecia n�o funcionar e ele notou que eu o notei. Finalmente encontrei a chave, abr� o port�o e os olhos.
Estou na minha cama, garganta e corpo doendo. A sensa��o de que algu�m me observava ainda existia, e pensamentos relacionados ao sonho voltaram. Tentei permanecer acordado, e dei algumas cochiladas. Pensava em uma luz branca, e na sensa��o de paz, for�adamente. Consegui me acalmar e durmi de novo.
Da pr�xima vez que sonhares, tenta te lembrar e escreve teu sonho.
Big Earl
Ainda n�o achei minha nave

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