Hoje o assunto � s�rio. Hoje vou falar sobre a casquinha da ferida do meu joelho, se voc� ainda n�o visualisou, � aquela que se tu arranca antes da hora, encontra alguma carne, ainda viva, rodeada por pelo nosso amigo pus, e coberta por uma gosma protetora.
Por muitos e muitos anos escalavrei meu querido joelho disputando as mais acirradas batalhas campais no mais genu�no estilo do futebol ga�cho. Meu car�ter foi moldado enquanto minha r�tula sofria o mart�rio do atrito e arrastavasse de encontro com o arei�o. O verdadeiro homem � feito de dor e supera��o, a derme virgem que cobria a patela me fez chorar uma, ou duas vezes, mas n�o existe mais. Foi substitu�da in�meras vezes por material mais resistente, assim a s�bia natureza age…
Enquanto escuto meninas queixarem-se da dor que lhes inflingiram, eu agrade�o. Fosse eu criado livre da mesma, n�o teria sido eu, teria sido algu�m que foge da luta, que desiste, que ao ralar o joelho, lamenta a dor, fica assoprando quando deveria continuar marcando… Meu joelho n�o est� adormecido, continuo sentindo ele muito bem, e na verdade n�o tenho uma pele mais grossa o protegendo, o que mudou foi a minha atitude em rela��o a ele, essa dor, j� t�o minha conhecida, � minha aliada, e cada vez que ralo o joelho eu lembro dela.
E esse joelho que eu falo, n�o � s� um joelho… � s� pra lembrar voc�s, leitores, que o mundo nos faz mais fortes, e devemos aprender com isso, mas n�o devemos permitir que ele nos anestesie, pois se � pra sentir dor, que sintamos, desde que n�o se perca tamb�m a capacidade de sentir prazer na vida.

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