Com o advento da tecnologia calçadista, do higiene pessoal e do saneamento público ganhamos muito em qualidade de vida. Porém, privamos as gerações futuras de alguns prazeres simples, como o direito a um bicho-de-pé. “Ai que nojo, um bico-de-pé!”, tsc, tsc… Os bichos-de-pé são fonte natural de satisfação, encabeçam a lista, a frente das frieiras e dos sapatos apertados.
Quem nunca teve a sorte de ser acometido pelo referido parasita não pode julgar. Além do nobre ato de alimentar um pequeno ser em extinção, cedendo como morada um terreno compreendido entre o tecido muscular e a derme, servindo-lhe constantes refeições com nutrientes previamente digeridos e diluÃdos na corrente sanguÃnea, gozamos da indiscritÃvel sensação de coceira proporcionada pelo pequeno animal enquanto devora minúsculas porções de nosso pé.
Eu falo isso como um desabafo, atualmente cultivo um na minha sola direita. Seu irmão, no pé esquerdo, foi precocemente retirado em uma cirurgia realizada por um tia minha, treinada na lida dos bichos-de-pé, e que me causou arrependimento, pois poderia ter desfrutado mais alguns dias ainda em sua companhia. Agora no verão estes bichinhos são o que eu tenho, na próxima estação eles se vão, deixando saudades, que eu mato no inverno, com as frieiras.
Agora acho que vou dar uma voltinha na quadra, só não sei se vou descalço ou coloco aqueles meus tênis 38.

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Plástico Bolha » A Arte do cultivo do Shitaki
em 7 Fev, 2007
[…] Se escrevo o que escrevo é para que absorvam a idéia, e se eu faço as palavras se tornarem em imagens dentro de vossas cabeças já me dou por satisfeito. Já havia relatado aqui toda a minha saga parasitológica, e este artigo não é só um complemento, é uma errata. Tinha dito que os bichos-de-pé e as frieiras estavam no topo dos prazeres que um ser humano pode suportar. Após eu ter apresentado a mim mesmo os fungos que causam a micose disidrosiform tive que mudar a minha opinião. […]