Juntamente com a prostituição, a mendicância sempre teve seu lugar no mundo. Afora alguns locais, onde são queimados, os mendigos têm sobrevivido valendo-se da generosidade alheia e de um estômago forte. Como as baratas e outras pragas urbanas, os pedintes vivem à margem da sociedade, colhendo nas lixeiras o que já foi um alimento. Aqui em Porto Alegre fechamos as pontes para que os moradores de rua não tivessem onde dormir.

Eu sou completamente contra mendigos! Isso não quer dizer que ache que são eles o problema. Acho que são fruto da sociedade, e a mesma, ou seja, nós, temos que acabar com eles. Não estou propondo uma chacina em massa, como ocorre por aí, acho que a maneira mais fácil de resolver este problema das grandes cidades é incluí-los na sociedade, de forma que não serão mais mendigos.

Fora o problema social, existe a esperteza, e com essa eu quero acabar mesmo. Ontem eu me dirigia ao supermercado quando me deparei com um rapaz bem vestido, de boa aparência, que pedia dinheiro em uma esquina. Frisava que não era um mendigo, e com voz sôfrega explicava sua situação: era de “Barra do Ribeiro”, uma cidade próxima de Porto Alegre, tinha sido assaltado e só precisava do dinheiro para voltar para casa. Nos 30 segundos em que o sinal ficava fechado, convencia os jovens, que se identificavam om a situação e com os mais velhos, que pensavam que isso poderia ocorrer com seus filhos.

Este rapaz desenvolveu uma estratégia ótima para a mendicância, afinal é muito mais fácil ignorar um mendigo que passa fome do que uma pessoa que poderia ser seu filho. Além do mais, ele realmente agia como se estivesse desesperado, era um grande ator. Vocês podem estar achando que eu sou insensível, que ele poderia estar falando a verdade, mas vamos analisar os fatos.

Se você fosse assaltado em uma outra cidade, e não tivesse dinheiro nem documentos, o que você faria:

a) Pediria esmola em uma esquina as 11 da noite para voltar para casa.

b) Iria a polícia, registraria queixa, ligaria para algum conhecido te buscar.

c) Iria no 1º telefone público e ligaria a cobrar para alguém conhecido.

d) Iria para a estrada e pegaria carona até em casa, afinal são só uns 60Km.

Sinceramente, a opção “a” seria a última opção que eu escolheria.

Não se convenceu ainda? Então me diga qual a chance de uma mesma pessoa, em um período de 2 meses, vir duas vezes até a capital, ser assaltado duas vezes e ainda por cima eu estar lá, duas vezes, para ver ele pedindo dinheiro e contando a mesma estória?