Percebi, durante toda a minha vida, que o lado esquerdo do meu cérebro era maior que o direito. Devido à uma estrutura muscular altamente desenvolvida e pernas flexÃveis, isso nunca foi problema para mim no campo esportivo. Esta deficiência, porém, sempre me dificultou em alguns aspectos, particularmente no campo das artes visuais.
É sabido que o lado direito é responsável pelo processamento de sinais em nosso cérebro, e como o meu lado esquerdo do cérebro (que convencionei chamar de Canhoto Espaçoso) ocupava muito da minha caixa craniana, algumas das funções destras começaram a ser prejudicadas. Nenhum sintoma havia aparecido até meus 12 anos de idade, quando finalmente a limitação volumétrica se viu presente.
Começou com uma disfunção visual, tardiamente diagnosticada como miopia. Meu cérebro direito, subjugado à um canto do crânio, se viu obrigado a desligar a função anti-blur, de modo que eu via tudo borrado. Esta limitação me causou transtornos de ordem temporal e manifestações de excessiva bondade: atrasava porque não pegava o ônibus, porém pegava coisas que só quem sofre deste mal pegaria. Com a graça de Deus meu problema foi resolvido adquirindo um co-processador visual externo, que executa a função que meus neurônios negligenciaram. Uso eles apoiando no nariz e prendendo nas orelhas, e muitas meninas acham isso muito charmoso.
Meus problemas infelizmente não cessaram por aÃ. Minha carência do lado direito me impedia de fazer sucesso musicalmente. Juro que tentei aprender a dedilhar uma velha viola, mas ritmo de facto não era meu forte. As cadências musicais eram tantas e tão imprevisÃveis que operar um instrumento mais complexo que uma chave-de-fenda era um desafio insuperável para mim. Me sentia o próprio Happy Feet… sem o sapateado.
Percebi logo que as ciências exatas me fariam justiça… e se não sabia cantar, que manifestasse as virtudes de uma mente serial (não-killer) embelezando os textos com a lógica divina. Acessando uma extensa base de dados vocabular e combinando corretamente as palavras, os textos fluem, fazem pensar; talvez não emocionem como uma ópera, uma sinfonia… cada um cada um.
E finalmente ficou explicado o porquê dos maravilhosos textos dentro de um layout questionável.

Nos faça feliz, dá tua opinião:
Moskito
em 27 Mar, 2007
hahahaha… era pra tudo fazer lógica.
Mas o lado esquerdo é o responsável pela criatividade, artes e afins… é o que me lembro.
Mas a essas horas, não posso afirmar porra nenhuma. Mas penso que eu esteja certo…
abracetas!
Camomila
em 27 Mar, 2007
seguindo esse raciocÃnio lógico, eu nem devo ter a metade esquerda do cérebro…
quem sabe minha caixa craniana está preenchida por dois hemisférios direitos? um enigma pra medicina moderna?!? uau!
Big Earl
em 27 Mar, 2007
O lado esquerdo do cérebro é o lado racional, lógico. Ele trabalha seqüêncialmente.
O lado direito é o lado mais emocional, criativo. Ele é especializado em reconhecer padrões e trabalhar em paralelo.
Moskito
em 29 Mar, 2007
É, tá certo. Eu que tava - um pouco - bêbado quando comentei. Tem aquele lance de inversão dos lados também… zesus de zazaré, isso é demais pra minha cabeça.
Camomila
em 29 Mar, 2007
momento cultura (in)útil:
os olhos são a única parte do corpo que são controladas ‘linearmente’ pelo cérebro. ou seja: hemisfério direito - olho direito, hemisfério esquerdo- olho esquerdo. TODO o resto é invertido.
Se um cara aparecer com o olho direito capenga num exame neurológico (pupilas não reagindo à luz, por exemplo) pode ter certeza que a lesão tá no lado direito e o cara perdeu um tanto da sua criatividade; no corpo, terá afetado o lado esquerdo.
deu pra entender?
acho que isso (me) prova que sobrou um tantinho de lado esquerdo do cérebro na minha caixola!