Problog já é um fenômeno. A “nova” mídia. Porém, uma mídia diferente das tradicionais jornal, televisão, rádio, revistas. Possui características próprias sendo mais descentralizada, mais informal, mais pessoal, com alta participação do espectador (leitor) e alta integração entre os diversos editores.

Entretanto, blogs possuem uma propriedade peculiar que me chama a atenção: a grande capacidade que têm de falarem sobre si mesmos. Como vivemos no dia-a-dia, absortos em nossos feeds, fica difícil de analisarmos a nossa própria situação com uma visão mais imparcial. Assim, nos acostumamos com artigos do tipo: “A incrível arte de escrever sobre nada“, “Freqüência de publicação“, “Auto-ajuda para blogueiros“,”Política de Comentários: Adoro meu poder de moderação“, ou então “Como aumentar o CTR do Google Adsense“,”Japinha da semana 3“, “O simples guia rápido e alternativo de como criar um blog“, “Agora é guerra: chega de feeds resumidos“, “Como matar seu blog em 3 passos

Quando na verdade, a maioria do público internético é formado por não-bloggers. E seria para esse público que a mídia deveria se voltar. Eu nunca abri o jornal, para dar um exemplo, e vi uma matéria do tipo “Como organizar e diagramar a primeira página?”,”Política, economia ou esportes? Qual tem mais demanda?”, “O que fazer quando o colunista atrasa” ou então “Guia de anúncios: adequando o tamanho dos anúncios às reportagens”.

Porque então os ditos profissionais bloggers focam tanto neles próprios? A resposta é simples: dinheiro. Quem clica nos anúncios, sustentando o editor de um blog, todos sabemos são os visitantes pára-quedas. Estes visitantes se originam de uma ferramenta de busca como o google em busca de um assunto. Assim eles aterrisam no blog lêem alguma coisa e logo saem clicando em algum link que os chama atenção (um anúncio do adsense ou link do buscapé). Só que para um blog ter um número suficiente de visitantes desse tipo, ele precisa ser bem rankeado, e para ser bem rankeado ele deve ser linkado por outros bloggers. Daí é que vem a recorrência ao assunto “blog”. Os editores são atraídos a posts desse tipo, pois se interessam por isso, e uma ligação (link href em potencial) acaba ocorrendo entre o editor e os leitores/bloggers.

Contudo, essa situação ocorre com mais freqüência em blogs de proposta geral como o Contraditorium, O Fim da Várzea, Megalopolis, Bender Blog, efeito Cobalto, BrPoint, entre outros. Estes blogs não possuem um conteúdo específico - falam sobre tudo - assim o público visitante é muito variado, fazendo com que eles necessitem de um público “leitor” - outros bloggers.

Esse é um caminho de sucesso, entretanto temos o outro lado da moeda. Quando um blog tem um conteúdo bem específico, digo blogs como Garota Sem Fio, Mercado & Malagueta e Solucionathica, é o próprio público “leitor” que clica nos anúncios, uma vez que o conteúdo do blog, assim como os anúncios, chama mais a atenção do visitante. Desta forma estes blogs não precisam de uma visitação muito alta (apesar de alguns possuírem) para conseguir uma boa taxa de cliques. A outra vantagem é que este “approach” torna a vida do visitante muito mais agradável, já que ele não precisa ler e entender coisas como: paraquedistas, kosher, wannabe, wordpress, blogspot, newbie, padawan, IMHO, IMNSHO, São Google, problogger, feeds, rss etc etc etc..

Acredito que conforme a mídia “blog” (que poderia ter outro nome já que não é mais apenas um web log) vai ganhando espaço e credibilidade, este tipo de assunto começará a desaparecer. Teremos então mais blogs falando sobre outros assuntos que interessarão o resto, 98%, do público da internet.

PS: Gostaria de ter as estatísticas corretas de quantos blogs existem no Brasil. Mas nem no maior diretório de blogs do Brasil encontrei esta informação. Talvez (provavelmente) tenha procurado mal.