Eu tenho uma tia minha que se chama Virginia, outro dia ela quiz me desafiar no xadrez, disse que ia me derrotar e talicoisa. Ledo engano, mal ela sabia que eu, estudante de engenharia, grão-mestre em Xadrez, ia literalmente “kick her ass”.

O jogo começou truncado, ela queria dominar o centro com aqueles eqüinos safados, mas eu não deixei por menos, avancei com meus peões metralhando os seus bispos avançados. A peonada seguia em linha reta, em uma formação espartana, até que a Rainha inimiga, Xerxes, uma vagabunda enorme, avançou sobre a minha formação e abriu uma brecha na minha defesa… “tudo bem” - pensei. Vou deixar só esta casa para eles passarem, vou concentrar minha defesa por aqui mesmo.

Na sequência, fiquei em minoria, mas minha estratégia já previa esta movimentação. Depois de 33 minutos de jogo, resolvi me jogar ao ataque de um jeito que os leigos chamariam de suicida. Sacrifiquei o clero inteiro, e ao custo de 1 torre de vigília, ficaram meu Corcel Negro e minha Rainha cara-a-cara com o bastardo inimigo. Não perdoei! Num movimento rápido executei a manobra fatal: “xeque-mate!!!” Tive que retroceder… no momento de empolgação joguei duas vezes seguidas.

A situação parecia irreversível para ela, o reloginho corria e nada dela me passar a vez, a ansiedade estava acabando comigo. Das 738.248.215 combinações que calculei não havia uma jogada que parecia boa o suficiente, bom para mim. De repente ela fez um movimento, e por ele eu não estava mesmo esperando. Disse que ia ao banheiro, e ao levantar derrubou o tabuleiro que estava em um banquinho, e agora??!! Eu não conseguia mais lembrar a posição das peças, de modo que o jogo foi dado como empate.

Neste interím de pura decepção, não pude resgatar a micro filmagem que fiz que provava o verdadeiro massacre que havia recém sucedido, um ato brutal que eu particularmente, nunca poderei esquecer. As provas maldosamente destruída pela Virgínia como única forma de escapar da humilhação total.