lia.jpgSe os tradutores dominassem o mundo, não mais sendo regulados pelo bom senso do mercado, pelos fans, pela mídia, teríamos a visão do inferno. Pequenas invencionices e leves alterações seriam só o começo. Se hoje até o nome de personagens-chave são ‘traduzidos’ (vide Tiago Potter) imagina quando eles tomarem o poder.

Talvez no futuro as crianças comentem a bravura de Frederico Bolseiro e seu ajudante, Samuel Gangi na luta contra o terrível Saulon, com a ajuda, é claro, do grande mago Gandolfo. Que o mundo civilizado não permita este tipo de heresia.

O que escrevi acima pode parecer engraçado e improvável, mas não é. O que foi feito com Harry Potter foi exatamente isso, mudança de nomes próprios, e pior, mudanças idiotas. Na verdade, no parágrafo acima, fui bastante condescentente com a tradução, procurei nomes parecidos em português. Mas alguém por favor me explique a semelhança entre James (original) e Tiago (traduzido) no livro de J.K.Rowling. Não ficaria Jaime muito melhor?

Como você faz para traduzir uma palavra inventada por JK Rowling?
Wyler: Para traduzir uma palavra inventada, procuro reinventá-la em português, levando em conta os elementos que a autora utilizou para inventá-la. Por exemplo, “blast-endend screwt”. O elemento mais importante do bicho é a sua explosividade, donde chamei-o de explosivimo. É claro que cada tradutor encontrará a sua própria solução e, muitas vezes, até melhor do que a minha.

Este é um trecho da entrevista da tradutora dos livros do Harry Potter. Quer dizer então que “James” é uma palavra inventada pela autora? Por favor, não façam isso. Um tradutor deve traduzir, não inventar, e mais, se ater a traduzir o que é tradutível e a não mexer naquilo que não o for.

Tradutores não deveriam aparecer nos créditos, quando isso começou a acontecer eles convenceram a sí próprios que eram artistas também, e começaram a se intrometer e dar palpites em obras que não eram suas.

E vocês leitores, quantas traduções idiotas conhecem?