O jornal estadão lançou uma campanha totalmente preconceituosa - que pode ser vista aqui - criticando os blogs e seus editores. Em uma das peças chegam a comparar blogueiros com macacos. Obviamente que isso causou total furdunço na blogosfera (Efigênia ™ ), com o pessoal todo caindo de pau em cima daquele jornal.

Preconceito contra uma determinada classe ou grupo social é sempre maléfico, e, quer queiramos quer não, atinge todos os indivíduos do grupo. Freqüentemente, quando o assunto “blog” é colocado em alguns de meus círculos de amizade, a idéia torna-se motivo para piadas e descrédito. E isso acontece muito quando se tem uma idéia, estereótipo, pré-formado sobre algo ou quando não o conhecemos.

É justamente nessa esfera que esta campanha do estadão atua. Uma mídia desse calibre tem muita influência, e poder de formadora de opinião, sobre as pessoas que não conhecem afundo a matéria “blogs” como nós e nossos leitores conhecemos. E é com esse tipo de iniciativa que se degrada a credibilidade pela qual tanto lutamos.

Justamente por esse motivo que fiquei impressionado com a visão de um dos nossos gurus da Efigênia ™ (blogosfera) , o Cardoso. Segundo este, só devemos protestar, reclamar e nos defender quando somos comparados com macacos se realmente acharmos que isso for verdade.

Se você acha que seus leitores (ou qualquer um que se qualifique para o título de “leitor”) vão confundí-lo com um macaco, proteste, reclame, defenda-se. Se você acha que seu blog é visto como uma fonte de informação e opinião não-confiável, que pode ser destruída por uma campanha de publicidade, proteste. [..]

A coisa mais sincera que um blog BOM pode fazer em relação a todo esse bafafá do Estadão é dizer “não é comigo”. Garanto que seus leitores (se forem tão bons quanto seu blog) também NÃO se identificarão com os exemplos da propaganda.

Obviamente que eu não considero meu blog uma fonte de informação e opinião não-confiável, mas não é por isso que eu devo ignorar uma ofensa deste tipo já que ela irá me afetar de alguma forma. Eu diria que isto se compara com o recente episódio envolvendo o jogador Richarlyson, e como a comunidade gay ficou revoltosa (e vários de nós também) com as ofensas do juiz de Direito Manoel Maximiano.

É claro que também não acredito que meus leitores me considerem um macaco, nem se identifiquem com os outros exemplos da propaganda. Acontece que a grande população que ainda não me conhece, e é leitora em potencial, será influenciada por este tipo de campanha e eu com certeza serei prejudicado de alguma forma.

Ignorar uma ofensa muitas vezes vale mais do que alimentar uma discussão que não leva a nada, entretanto creio que esse não seja o caso.

Agora, o protesto deve ser feito também de uma forma inteligente. Ficar brabo, espernear, gritar e ofender de volta não é saudável pra ninguém e provavelmente não terá resultados positivos. Como os públicos leitores de blogs e do jornal são diferentes, pouco do que escrevermos por aqui será uma forma eficiente de protesto. Mas uma boa discussão de como e porquê somos prejudicados e o que podemos fazer a respeito é quase um dever.

O Rafael Slonik fez uma análise interessante na questão que vale a pena ser vista.

*atualizado*

O Silveira Neto também deu uma pitada com uma visão peculiar sobre a polêmica.

Cynara foi mais ecológica e atacou numa questão muito inteligente.

Noronha e a adorada, por mim, ironia.

Blogs são realmente escritos por especialistas, enquanto jornais por jornalistas. Ponto de vista do Henrique Pereira e do Bender.