Garanto que o pessoal do Undergoogle daria um de seus rins para uma chance como essa. Não é toda hora que o vice presidente de Engenharia da Google Europa e Oriente Médio dá uma palestra de uma hora falando sobre a empresa. Pois hoje, nós alunos da UFRGS tivemos essa oportunidade. Nelson Mattos formou-se pela UFRGS nos anos 80 em Ciência da Computação, fez pós graduação em Kaiserslautern na Alemanha e trabalhou por muitos anos como diretor da IBM. Hoje ele é um dos vice presidentes da Google e passou aqui em Porto Alegre pra dar um alô pros antigos professores e falar um pouco dos planos mirabolantes da sua nova empresa.

As fotos foram tiradas com a câmera do meu celular. Estão uma bela bosta porcaria.

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Alunos nerds da computação da UFRGS - e eu entre eles.

Os nerdzinho cientista de computação da UFRGS estavam em fervorosa. Tudo agitado esperando para finalmente descobrirem como funciona o algoritmo de busca e o de ranking do Google. Pois obviamente que ficaram decepcionados. Nem eu nem o Google iremos revelar sob hipótese alguma estes algoritmos. A palestra foi bem básica, ele falou tudo que já sabemos sobre a empresa, mas deu alguns dados interessantes:

  • U$ 3300,00 é o preço em memória para digitalizar a maior biblioteca do mundo - a do congresso americano.
  • + de 20 bilhões de documentos existem na internet
  • + de 35 milhões de tipos de arquivos na internet não são HTML
  • Google indexa em 112 línguas e a segunda mais pesquisada é…… espanhol e não chinês.

Para trabalhar com esse volume imbecil de dados, obviamente que um mainframezinho não daria conta. Toda a arquitetura do Google é totalmente distribuída em um cluster global gigante de milhões de máquinas. Eu tentei torturar o cara pra ele me dar o número exato de máquinas e a localização delas mas esses caras são treinados pelo exército americano, e não falam nem sob tortura.

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Nelson Mattos, vice presidente de Engenharia da Google, no escuro.

Um dado que achei muito interessante e que desconhecia é que o Google não utiliza bancos de dados relacionais como são o Oracle ou o SQL Server. Ou seja, as queries do google não são em SQL. O que elas são, bom daí já queres saber demais.

Depois ele falou um pouco sobre a Google Mobile que é um campo em que eles estão investindo bastante. E este aqui é o motivo:

  • existem 820 milhões de computadores
  • existem 1,5 bilhões de televisores
  • mas existem 2,5 bilhões de celulares

Eu diria ser um mercado com população razoável. Porém a diversidade de aparelhos e marcas é imensa, o que torna desenvolver tecnologia nessa área muito difícil. Outro dado curioso é que existem mais de 4000 tipos de browsers diferentes para celulares. E nós nos preocupando em programar pra 5 ou 6 browsers.

 

Na finaleira o cara discursou sobre o quão diferente é o sistema interno do Google. A empresa não possui muito hierarquia. Como praticamente todo funcionário é mestre ou doutor em alguma coisa e passou por um processo de seleção em que apenas 0,6% passam, eles tem muita liberdade de escolha, fazem o que querem e se não der certo, não deu. Se der ótimo, lança no mercado e vamo ver o que que dá. Eles trabalham em grupos pequenos em cada projeto, com cerca de 3 a 5 pessoas e não ficam mais do que 6 meses trabalhando num projeto sem lançá-lo ao público. Assim que tiver funcional eles jogam a porcaria no Google Labs e vêem qual o feedback. Se for bom, investem em cima. Se for ruim, deixam de lado.

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Se come na Google, diariamente, mais de 226 kg de cereais por dia. Os cara não param de comer lá dentro. Existe uma regra bem conhecida também que é a 20 % rule. Cada funcionário tem disponível 20% do seu tempo para despender em projetos próprios. Daí o surgimento do orkut. Ah sim, o orkut não é nem um pouco conhecido nos EUA. É muito mais popular aqui no Brasil, na China e na Índia.

 

O Google praticamente não demite seus funcionários. Existem funcionários que são milionários e eles realmente trabalham porque gostam. Outra, pouco se fala em ganhar dinheiro dentro da empresa. Eles deixam isso pro pessoal de vendas sempre, e se é pra fazer um projeto, é porque ele é útil para alguma coisa e não porque dá dinheiro. Jeito estranho de ver as coisa não? Os cara não pensam em ganhar dinheiro e enchem a bunda dele. A vida é irônica. Vou parar de pensar em dinheiro pra ver o que acontece.

A sede brasileira do Google fica em Belo Horizonte. Lá é o único lugar fora da Califórnia que se desenvolve os algoritmos de busca e ranking da engine. Cool hã?

No final ganhei uma canetinha vagabunda. Não pensam em dinheiro, mas na hora de escolher entre distribuir camisetas, bonés, pendrives ou canetas vagabundas eles ficam com a última. Esse pessoal de vendas é foda.

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Caneta vagabunda em vez de pendrive de 4GB