IA - ou Inteligência Artificial - sempre foi algo que me despertou grande interesse. A idéia de criar um ser, um indivíduo, com inteligência, instinto, capaz de tomar decisões - por mais básicas que sejam - é fantástica. Por isso que jogos como The Sims, Lemmings, e o hiper-esperado Spore, fascinam tanta gente. Mas ao se divertir com jogos desse tipo, ficamos muitas vezes tão imersos na diversão que não apreciamos tanto a inteligência dessas criaturas binárias.

Existem alguns estudos que nos permitem entender melhor como se cria uma inteligência primitiva e visualizar o seu comportamento. Um dos primeiros é o John Conway’s Game of Life. Ele não é um jogo propriamente dito, mas sim uma simulação de “vida”. Consiste em uma coleção de células - quadrados - que seguindo algumas regras simples, podem viver, morrer ou se multiplicar. Assim elas vão passando de geração em geração produzindo diversas formas e padrões interessantes e complexos. Pode-se brincar com o jogo aqui.

As regras são as seguintes:

  • Cada célula com um ou nenhum vizinho, morre.
  • Cada célula com quatro ou mais vizinhos, também morre.
  • Cada célula com dois ou três vizinhos, sobrevive.
  • Quando três células são vizinhas de um espaço vazio, cria-se uma nova célula neste espaço.

Mas o Game of Life é meio tosco e fica dificil de ver como se desenvolve a individualidade. Alguns estudos mais novos mostram isso e simulam o comportamento de alguns animais reais, ou pelo menos algo parecido.

Boids

Os Boids são voadores. Eles tentam se manter alinhados com os outros boids vizinhos tanto no plano das asas quanto na direção de suas velocidades. É interessante observar quando dois grupos de boids se chocam. Ocorre uma certa confusão momentânea e depois eles entram em equilíbrio continuando o vôo.

Floys

Já os Floys são mais parecidos com insetos. Eles possuem: um conjunto de regras que descreve o modo de agir com seus semelhantes: cada um deles tenta se manter no centro do grupo e se estiver muito próximo de outro, se afasta um pouco como se para não colidir; e um conjunto de regras para agir com estranhos: quando um nativo está próximo de um estranho, voa atrás dele. Quando chega a uma distância pré definida do estranho, o ataca.

Seguindo essas pequenas regras, cria-se uma comunidade artificial, e o sentimento que se tem é que estamos olhando para um aquário de insetos.

O que me intriga é que se já somos capazes de criar inteligências primitivas como estas, quão longe estamos de ter a capacidade de desenvolver uma consciência? A consciência pode ser originada apenas de um conjunto de regras que definem um comportamento, só que mais complexas? E se comprovarmos que é possível criar uma consciência que viva num mundo virtual, o que nos impede de crer que nós não somos seres virtuais? E a melhor pergunta, isto faz alguma diferença?