A introdução

Eu tenho um amigo Alemão, desses que vêm da Alemanha. Ele é tão Alemão que nem loiro ele é, que Alemão mesmo não se parece com o que a gente considera alemão. Mas não tem jeito, o sotaque e os erros nos artigos definidos evienciam sua nacionalidade.

Acontece que esse meu amigo troca de namorada toda semana. Numa semana é uma morena alta, na outra uma loira baixinha, e depois uma ruiva e assim vai. Essa rotatividade toda leva a crer, num primeiro momento, que o Alemão nada mais é que um conquistador barato, que usa e se aproveita das mulheres que caem em sua lábia estrangeira para sete dias depois as descartar como a uma Bock Wurst estragada.

Esse Alemão é realmente um cachorro!

Esse Alemão é realmente um cachorro?

Enganam-se. Enganam-se miseravelmente.

A reviravolta

O Alemão é um sentimental, apaixona-se quatro vezes no mês. Um recorde, para um Alemão. Dizem as más línguas que não se completou um ciclo menstrual antes dele já ter encontrado uma nova “liebe“. E a todas elas ele jura paixão eterna, que ela é a mulher da vida dele, que irão comer chucrutes e beber cervejas até o 3º Reich sol raiar.<Pika mode> O bonito é que, ao contrário dos seus antepassados, ele não tem preconceito algum, se apaixona por gordas feias da mesma forma que pelas gatas mais deslumbrantes.</Pika mode>

Caridade é algo muito bonito.

Caridade é algo muito bonito

E lá vem o Alemão com outra. Agora me digam que culpa tem esse meu amigo de carregar no peito um coração volúvel assim? O coração dele funciona tal qual o coração do torcedor de futebol, que muda de idéia a todo instante, encontrando uma nova paixão* a cada gol, a cada carrinho, a cada fratura nos adversários. Paixões essas renovadas conforme os craques vão se indo. Essa é a sina do torcedor e essa é a sina do Alemão.

O Gran Finale, ou, Das Größe Ende

Assim como o nosso amigo Alemão com seu gosto duvidoso, o torcedor se apaixona com a mesma força por times incrivelmente ruins e decadentes e por grandes times recheados de títulos e craques. Só o que resta a concluir é que a paixão não mudou, o que mudou foi que não se fazem mais relações que durem como antigamente, e muito menos times de futebol.

*Paixão aqui no sentido másculo da palavra, é claro.