Nota inicial: Para os mais bizarros, não existe chá de banha até onde eu sei. Existe sim pão-com-banha, mas esse não é o propósito do texto. O termo aqui se refere ao homem (homem, mulher, homossexual, panssexual, etc) ocidental, e vamos falar sobre a rotina alimentícia totalmente desnecessária dele.

Nota seguinte: eu vou comentar uma notícia que o Bender postou em seu blog:

Se querem carne de qualidade, façam como eu ( quem poder claro ) criem o vosso vitelinho, o vosso porquinho e os vossos franguinhos em casa, e atenção, isto a ASAE não pode saber, depois faz-se a matança claro, mas come-se realmente o que é de qualidade…

Esse comentário foi para um jornal português. O Bender não opinou a respeito, mas eu gostaria de dar um teco: se o cara come carne, então o cara come carne. Se essa carne veio de um bebezinho ou de um bicho adulto, pouco importa. Não vem se sensibilizar só porque o bicho é pequeno “Ai, mas é tão fofinho”. Ou tu mata animais pra comer, ou tu prefere não matar nada e comer plantas (meu caso). O resto é auto-enganação. Quanto ao caráter criminoso da afirmação, sou totalmente contra.

Agora, à rotina.

O Chá de Banha acorda com muito esforço. Coça a barriga e o papo. Vai até o banheiro, lava a cara remelenta e se dirige à cozinha para sua primeira refeição, o tal do café da manhã. Não vou nem comentar sobre o café da manhã estadounidense regado a bacon, tortas de frigideira (pancakes) e ovos moles, seria covardia. Aqui, o Chá de Banha faz um quente misto quente com queijo e presunto com a capa de gordura aquela. Toma aquele copo de Nescau mais preto que o negrinho do pastoreio. Ou então um café com leite integral mais gordo que ele próprio. A refeição mais importante do dia. Às vezes finaliza, emendando umas bolachas Bono de chocolate. E vai trabalhar, feliz.

No trabalho, ainda com sono, manda um cafezinho. “Não fico sem meu pretinho”, diz ele. Senta a bunda gorda numa cadeira que não merece o sofrimento e trabalha grudado numa tela durante algumas horas. Perto do meio do dia, a “danada da fome aquela” começa a bater. Não queimou nem um terço da energia ingerida no café, ele levanta seu grande traseiro pela primeira vez no dia para se dirigir à segunda refeição. “Se a primeira é a mais importante, a segunda é a segunda, certo?” Claro, Banha. No almoço ele não perdoa. Massas, arroz, feijão, pastelzinho, polenta, batata frita, ovo frito, tudo que é tipo de músculos de animais fatiados, picotados, serrados e grelhados. “Xii, deu livre” lamenta o Banha, se referindo ao peso do prato, que o possibilita pagar pelo buffet livre em vez do a quilo. Se joga ao prato como se tivesse na guerra, no Alaska ou na Somália. Tal qual um urso polar que necessita de energia o suficiente para hibernar por meses, só que com Coca-Cola é claro. Na bandeja do buffet, ainda se encontram duas pequenas chávenas, com doce de abacate em uma e torta de bolachas na outra. Banha se delicia.

Com calorias no estômago para duas semanas de jejum e gordura suficiente espalhada pelo corpanzil para alimentar três tribos de esquimós, Banha volta ao seu escritório. Estando seu sistema “bio-orgânico” totalmente voltado ao manjar no estômago, Banha sente sono. “Não fico sem meu pretinho depois do almoço!” E toma seu pretinho.

Fim de um dia estressante. “Onde vai ser o Happy Hour hoje, pessoal?” pergunta. “Vai ser no Pingüim” respondem. Banha saliva: “Ah, o Pingüim. Que batata frita com queijo boa eles fazem, sem falar no chopp!” E vai, feliz, até o Pingüim que ano que vem perderá o trema.

Chá de Banha come, mas não se preocupa. Todo domingo tem aquela pelada com o pessoal da empresa. Banha é goleiro, mas sua tanto, que ninguém entende como tem aquele tamanho.

“É genética.” ele diz.

É sim, Banha, é sim.